Saúde Pública de Ontário, tem gente que gosta, tem gente que odeia

Falar de serviços básicos públicos, quaisquer que sejam, causa incômodo em todo mundo no mundo inteiro. Seja segurança, seja transporte, seja educação, seja saúde. O fator “primeiro mundo” nem sempre é sinônimo de qualidade e de excelência, tampouco de ineficácia e inexistência em países de “terceiro mundo”. Fato é: podia ser melhor, não é?

Minha esposa foi submetida à uma delicada cirurgia cardíaca no Toronto General Hospital, a cerca de um ano atrás. Todo desenrolar de atendimentos até culminar na cirurgia em si, e mesmo no pós-cirúrgico, foi, ao nosso ver, normal – ou muito bom. Nossa percepção foi tão positiva que, na época, até escrevemos um post sobre os motivos da nossa gratidão ao SUS de Ontário (leia aqui).

Porém, muitos, na ocasião, disseram que, na verdade, tivemos “sorte”. Ou que, por ser algo mais delicado, a atenção era maior. Acredito que não. Mas, não tiro a razão de algumas pessoas em seus casos específicos. O Sistema de Saúde de Ontário, de fato, tem suas peculiaridades – diria até típicas de um SUS. O que causa arrepio em muita gente. Só que uma boa comunicação, de ambas as partes, poderia resolver muita coisa.

Seria injusto generalizar as ineficiências desse sistema, assim como seus êxitos. Muitos reclamam da demora nos atendimentos; das consultas agendadas para três, seis ou até mais meses; do “descaso” com dores latentes e óbvias, que demandam urgência, ao invés de procrastinação; da “falta” de mais exames laboratoriais etc. E outros tantos “ruídos” que transitam entre exceções e regras.

Por outro lado, muitos se surpreendem com o atendimento prestado; com a variedade e amplitude do cuidado médico; com o acompanhamento dos médicos de família; com as infinitas pesquisas visando a melhoria da saúde em geral; e, certamente, com a estrutura física e tecnológica dos postos de atendimento, incluindo Hospitais. Lembrando que melhorias não tem fim.

Na verdade, no aperto, a nossa dor sempre será a maior. O sistema de saúde canadense tem falhas e tem acertos. Assim como, nossa experiência prévia, em nossos países de origem, seja no sistema privado ou público, também influencia nossa visão do todo. Contudo, pré-conceitos podem afetar atitudes, julgamentos, análises, avaliações, principalmente com aquela dor insuportável.

Respire, volte duas casas.

Por isso, considere estas pílulas: encontre seu médico de família – ele é que será a sua bússola; sempre leve tudo anotado, detalhadamente, do que você está sentindo; caso não esteja seguro com o idioma, solicite ajuda; tenha noção clara da intensidade da sua dor; seja protagonista do seu caso – explique aonde você quer chegar; questione o que seu médico diz, ele não morde, nem é Deus; e previna-se sempre (cuide ao máximo de sua saúde, e evite consequências de suas más escolhas).

Post original do Jornal North News.