Por que eu gosto tanto de Toronto?

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“É tão bonito andar na cidade…. de Toronto”.

Eu amo cidades.

Gosto do campo.

Mas, amo a cidade, o urbano, a vidaloka do corre-corre.

E digo pra você: eu amo Toronto.

É tipo aquele amor de curtir os mesmos filmes, as mesmas séries, brigar pela colher roubada de Nutella, ficar bravo por jogarem lixo no chão, ficar puto com o metrô lotado e até cair na neve em plena Yonge St.

É… “o coração tem razões que a razão desconhece”.

Eu sei: sou polígamo – vermelho, branco, verde e amarelo.

Toronto causa essas coisas: amor, e alguns momentos de ódio – não sei se é por ela em si… as vezes, é coisa nossa. Sei lá.

Eu sei o que eu vejo.

Eu sei o que eu sinto ao andar num streetcar só pra curtir a Queen St.

Passar horas nos parques curtindo com as minhas filhas, namorando minha esposa e olhando os esquilos.

Fazer esquibunda.

Vejo as praças com pessoas do mundo inteiro sentadas ali, falando suas línguas nativas e rindo.

Fotos, fotos e mais fotos.

Vejo pessoas lutando, trabalhando duro, cansadas, brigando com o inglês, chorando de saudades!

Não é fácil.

Mas, compensa.

Ainda tem seu guaraná antártica, sua picanha, seu feijão com arroz, sua cervejinha importada, seus amigos e até sua família, de vez em quando.

Tem até acarajé e brigadeiro da Mary’s!

Tem o diferente, o escutar histórias fantásticas de outros mundos, de imigrações e imigrantes, de aventuras, de micos, de vitórias, de partidas e chegadas.

 

Qual a sua história?

 

Ver outras fisionomias, outras roupas, outros rostos, outras piadas (a maioria sem graça), outros carros, outras preocupações.

A neve, a grama verde, a folha vermelha, a árvore nascendo-morrendo-nascendo.

O ciclo “perfeito” das estações.

O ciclo “perfeito” do aprendizado de uma língua – ouvir minhas filhas falando legal, e gostar de aprender e gostar da escola, e querer estar ali.

Eu vejo uma saúde pública que prioriza a vida e não o lucro.

Eu vejo um transporte público que eu posso usufruir (sentado), ainda que atrase alguns segundos – nem tudo é perfeito.

Vejo policiais que demonstram respeito.

Vejo leis serem cumpridas – até com exageros.

Vejo beleza natural, vejo beleza arquitetônica, vejo beleza física, vejo beleza cultural.

Eu vejo o rico – até converso com ele, pasme.

Ele mora perto de casa – acredite!

Mutcho louco.

E você não sabe da última! Não tem muro na casa dele e o maluco deixa o carro dele estacionado na rua, e do lado do meu!

Out-of-mind.

O filho dele, não sei como isso é possível, estuda na mesma escola das minhas filhas.

Como pode!

Deve ser porque é pública.

Ahnn…. não entendeu? Pú-bli-ca, es-co-la.

Eu amo Toronto e suas cidadezinhas que a abraçam.

Eu amo o frio.

Eu amo o calor.

Eu adoro aquela transição do zero grau anunciando o fim do inverno.

Adoro não ser classificado pela roupa que eu uso, pelo carro que dirijo, pelo tênis que eu calço, pelas minhas loucuras.

Eu sei que sou do tupware “imigrante”, mas 60% da galera também é.

Sei que parece piegas tudo isso, sei que nem tudo é perfeito, sei que os haters existem, sei de coisas (e muitas) que não me satisfazem em Toronto.

Mas, ainda assim eu amo Toronto.

Fim.

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1 thought on “Por que eu gosto tanto de Toronto?”

  1. Pablo, eu tb amo Toronto!
    No meu prédio moram médicos, advogados, paramédicos, autônomos, pedreiros, tudo misturado! (Doido né).
    O hospital que eu tive que utilizar uma vez pra fazer uma cirurgia, foi o mesmo hospital que o prefito da cidade foi (o falecido, rip), e muitos outros políticos vão. Ah, e não paguei nada, além dos impostos.
    Eu consigo viver sem precisar de carro! (TTC tem seus problemas, mas me leva onde preciso).
    Adoro tb ouvir dezenas de línguas diferentes, conhecer culturas diferentes, ter amigos e colegas de trabalho de vários lugares do mundo.
    Conheço uma pessoas que me contou suas experiências na guerra de Cosovo, que estudei na escola no Brasi, coisas que os livros e professores não contam.
    Adoro andar nos parques,… tantos programas gratuitos pra fazer na cidade em todas as estações.
    A crise está começando a apertar um pouco mais ultimamente (desde 2015), por aqui, mas ainda consigo viver com dignidade, mesmo sendo cuidadora!
    Abs!!!

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