Número de homicídios no Brasil é 17 vezes maior do que no Canadá

Dados divulgados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Statiscs Canada revelam números assustadores da violência que ronda tanto o Brasil quanto o Canadá. Infelizmente, é estarrecedora a diferença no número de vidas perdidas quando comparados um país ao outro. Talvez seja por isso que muitos brasileiros têm optado a abrir mão de um certo “conforto” em troca da segurança em outros países, como o Canadá, por exemplo.

 

Não se trata de mais um discurso de ódio ou de apontar o dedo para este ou aquele culpado. Tampouco cabe uma comparação nua e crua entre os dois países – Brasil e Canadá. Cada um tem suas características e histórias peculiares. O problema, todos sabemos, é bem mais embaixo – o mecanismo é outro. No entanto, esse olhar para números tão díspares pode provocar uma reflexão sobre um possível porquê de tanta discrepância de valores.

 

O próprio entendimento de violência varia de um país para o outro – o que é violento para um, já não o é mais para outro. Isto é alarmante. Pouco a pouco perde-se a sensibilidade, e a violência torna-se gratuita. No Brasil, em 2017, foram registrados 59.103 homicídios* – algo na casa de 28,5 mortes a cada 100 mil hab. No Canadá essa proporção não chega a 2 mortes a cada 100 mil hab. (são menos de 700 homicídios ao ano). A província de Prince Edward Island, às vezes, passa o ano todo sem um homicídio sequer.

 

Vamos pegar Ontario, que vem crescendo nesse número tão incômodo – são cerca de 200 homicídios no ano. É a mais violenta do Canadá, ainda que não chegue a 2 homicídios a cada 100 mil hab. No Brasil, o Estado do Rio Grande do Norte sozinho ostenta a proporção de 64 mortes a cada 100 mil – ou seja, 30 vezes mais sanguinária do que a província mais violenta do Canadá. Não quero falar de cidades específicas, pois o abismo seria ainda maior.

 

Tragicamente as maiores vítimas dessa violência, tanto no Brasil quanto no Canadá, são os jovens, entre 20 e 29 anos. Mas, repito: a violência também cerca os canadenses. Existem massacres, existem mortes bizarras. Não é o céu. Mas, algo importante deve ser observado: a moderação desta cultura do medo. Não se fica martelando na cabeça da população a desgraça alheia. Um caso ou outro vem forte na mídia. Há resolutividade, a impunidade é ínfima, e o crime não compensa.

 

No Brasil, cidades como Jaraguá do Sul (SC), Brusque (SC), Jaú (SP), Americana (SP) e Araxá (MG) também trazem baixos números de homicídios, comparáveis com algumas províncias canadenses – aliás, somente duas províncias superaram a marca 100 homicídios no ano (Ontario e Alberta). Outras até diminuíram seus números (Quebec e British Columbia). Mas, observe que são cidades comparadas em números com províncias inteiras. Ooops!

 

Infográfico da violência – segundo o IPEA.

 

O fato é que a dor das vítimas destas violências não tem GPS. Simplesmente isto tudo assusta, retrai, intimida, inibe, irrita, onde quer que você esteja. Por outro lado, essa exposição desproporcional à in-segurança generalizada incomoda. Expele as pessoas dos seus espaços – até dos seus países. Contudo, nem todos tem essa chance ou mesmo querem mudar suas histórias, e acabam sofrendo passivos. É triste. Fato é que questionamentos devem ser feitos e mudanças exigidas. Caso contrário, a próxima vitima pode ser um de nós.

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Post originalmente publicado no Jornal North News.