Casais inteligentes imigram (ou não) juntos

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“Na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, no Canadá ou no Brasil, até que a morte os separe, mas nunca um visto, amém”. Agora podem se beijar, pegar as malas e… desfazê-las, se necessário. Diferentemente de uma simples viagem turística, imigrar implica muito planejamento. Principalmente, se toda essa mudança envolver: marido, esposa, filhos, filhas, pai, mãe, cachorro, gato, galinha.

Se você é de Marte e ela de Vênus; você ama o Brasil, mas ela tem o Canadá tatuado no pescoço; teu sonho de criança é morar no Azerbaijão, ela nem pensa em sair de Carapicuíba; acho que chegou a hora de sentar, desligar os celulares e conversar. Muitos casais tem o compromisso fiel com à aventura desvairada, outros racionalmente preferem ficar onde estão e nunca mexer no queijo. A questão é: até que ponto seu desejo de fugir desesperado ou de ficar encravado na sua cidade pode afetar seu casamento?

Sou casado há 13 anos. Tenho duas filhas pequenas. E imigrar é um vírus que estava inoculado em mim antes mesmo de juntar os trapos. A ânsia de sair do Brasil só aumentava com o tempo, inclusive depois de casado. Inclusive, depois de ter filhos. Inclusive, depois de muitas coisas. Imigrar, imigrar, imigrar. Mas, ela não. Sobretudo, com os filhos. E agora? Enrolá-las num cobertor e trazê-las a força para o Canadá ou me amarrar a um carrinho de caldo de cana no Brasil lamentando da vida e de tudo? Ainda havia a possibilidade de chutar o balde e vir sozinho. Mas, vale a pena?

Sei que não é um imperativo categórico válido para todos os casais da face da Terra, mas que essas dicas ajudem vários casaizinhos a continuarem fazendo ou desfazendo suas malas (ouvindo Cold Play) tanto no Brasil, como no Canadá ou até no Azerbaijão.

Estudem os prós e os contras

Nem tudo são flores. Não importa para onde vocês vão, sempre haverá pontos positivos e negativos. Um pode estar no auge da carreira, o outro não. Talvez um de vocês tenha uma boa perspectiva de trabalho no exterior, o outro não. Existe uma lista enorme de fatores que deve ser colocada em questão para ambos: distância da família e amigos, trabalho, idioma, climas diferentes, imprevistos possíveis, segurança, planejamento financeiro, impacto sobre a vida dos filhos (caso tenha), custos de uma mudança destas, se será provisório ou definitivo, possibilidades de retorno, como seria esse retorno e segue a lista. Busquem olhar um pelos olhos do outro. Avaliem em conjunto cada detalhe. E não tenham pressa, nem apressem ao outro. Isso pode levar anos. Sério. Mas, que cada detalhe seja avaliado a dois (ou com filharada junto).

Façam uma viagem turística

Como disse acima, minha esposa não cogitava deixar o Brasil. Então, que tal uma viagem “turística”, sem compromisso, apenas para “sentir” o clima? Fiz o esforço de trazer a família toda. Todo mundo junto olhando, percebendo, avaliando, passando frio, conversando com amigos locais, perguntando e anotando tudo, procurando coisas ruins e boas. Enfim, ticando cada item da lista acima — na real. Isso pode parecer financeiramente custoso, mas pode ser vital numa decisão em família. Uma coisa é falar do frio do Canadá, outra coisa é passar frio no Canadá. Uma coisa é dizer que sabe inglês, outra coisa é ouvir alguém falando e não entender “lhufas” do que ela disse. Entre uma foto ou outra pro Instagram, avaliem o transporte público, o valor das coisas, o comportamento das pessoas, as casas etc. Esses detalhes fizeram minha esposa mudar de ideia. Mas, calma. Numa dessas já vi muita gente desistir também, e com razão.

Não forcem a barra

Tudo tem o seu tempo. Imigrar não é pegar o carro, encher de malas e ir pra praia. Ah… e se tiver chovendo, voltar tristinho. Imigrar é reduzir suas vidas à algumas malas de 32kg. That’s it. E isso tudo não acontece do dia pra noite (com exceção dos refugiados). Como já disse pode levar anos. Em alguns casos até é bom que isso aconteça. Pois nesse tempo, algumas bifurcações podem aparecer nas suas vidas. Tanto positivas, quanto negativas. Algumas delas podem surgir num último minuto e decidirem seu futuro no exterior, ou pelo Brasil mesmo. Eu sei que essa praga não sai da cabeça. Mas, não pressione, tampouco atrapalhe o outro. Deixe as coisas rolarem. Acredite, por mais que você tenha um plano perfeito, ele pode não acontecer, independente de onde você esteja. Deixem as velas do barquinho levantadas, pois o vento pode mudar.

Ajudem-se mutuamente

Vou falar de uma perspectiva de quem já está fora com a família, mas que também é válido para que pensa em sair do país. Não afoguem um sonho. Por quê eu digo isso? Porque mesmo estando fora, num país de “primeiro mundo”, nas pseudo-mil maravilhas, tem uma hora que você quer mandar tudo pra…. você sabe onde. Quantas vezes você não se pega chorando e pensando: “o quê que eu estou fazendo aqui?”. Daí, nada melhor do que ter alguém do lado para te mostrar as coisas por uma outra perspectiva. Ou simplesmente, te abraçar. Pois daqui alguns dias, será ela que estará esmurrando a parede querendo ir embora. Desta vez é você que está na fase“Canadá-até-morrer”. Cabe, então a você mostrar o lado bom das coisas. Ou não. Talvez tenha chegado a hora de tirar as malas do armário de novo e voltar, em paz. Conversem.

E ponto final

Sabe aquela última pá de terra? Então. Prós e contras foram avaliados, rolou aquela viagem, as coisas foram andando, muitas conversas noites a dentro, mas…. não deu certo. Por que não deu certo? Sei lá por quê não deu certo. Mas, acabou. Você sabe que não dá. E se não dá, não dá. Isso vale tanto para sair do país, quanto para permanecer no país. Tem uma hora que é nítido e escancarado que aquele é o momento de pegar o passaporte e ir. Então, ponto final. Parágrafo, outra linha. Chegou aqui (ou Deus sabe onde) você descobre que tem uma alergia mortal a “curry”, fobia a “boneco de neve” ou uma doença séria. Fim. Ponto final. Parágrafo, outra linha. São as situações que nos servem e não somos nós que servimos às situações. Se acabou, acabou. Assunto encerrado. Mala fechada ou aberta. Show must go on.

E durmam bem.

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4 thoughts on “Casais inteligentes imigram (ou não) juntos”

  1. Parabens pelo artigo, me ajudou a refletir e agora parar de mimimi.
    Mas enfim, vocês voltaram para o Brasil?

    Obrigado.

  2. Caramba. Eu nunca tinha lido um texto sobre isso, e é algo que vivo já alguns anos. Tenho o Canadá tatuado no pescoço e meu esposo não. Como é bom saber que não estou sozinha. Foi bom demais encontrar essas palavras de encorajamento.
    Pretendemos ir em 2017. Por mim faria um estudo+trabalho de uma vez. Ele quer somente uma viagem curta de turismo. Estou num empasse danado. Mas, vou seguindo sem desanimar.
    Muito obrigada.

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