Bibliotecas de Toronto querem cuidar melhor dos moradores de rua

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Quem já foi em algumas bibliotecas de Toronto sabe: é um paraíso. Além da infinidade de livros, autores, revistas, jornais, ebooks, internet, programações (tem até ingressos para cinema), tudo ali é “quentinho” e aconchegante. Moraria dentro de uma, com certeza. Boa parte dos moradores de rua de Toronto pensa a mesma coisa que eu e também adoraria viver dentro de uma delas. Mas….

Um filme de Emílio Estevez – The Public – exibido no Toronto International Film Festival, apontou para um episódio maluco que rolou numa biblioteca em Cincinnati, nos Estados Unidos. Moradores de rua ocuparam a Biblioteca local por dois dias e não saíam de jeito nenhum. Um caos. No caso das bibliotecas de Toronto, o roteiro não chega a tanto, mas está bem perto. Moradores de rua encontram nelas um refúgio seguro e tranquilo contra o frio, neve, chuvas e calor. Um paraíso.

E o número de moradores de rua curtindo essa ideia só vem aumentando ano a ano – sim, eles existem no Canadá! A ponto da Toronto Public Library chegar a contratar um Assistente Social meio que só pra isso. “Estamos tentando ser proativos neste sentido, buscando atender também essas pessoas vulneráveis que vem até nós”, disse Aly Velji, uma das gerentes da biblioteca.

Atender, entenda: é treinar os funcionários das bibliotecas em como interagir cordialmente com essas pessoas (muitas delas com distúrbios mentais), oferecer programas específicos para esse público, ajudá-los a encontrar abrigos, postos de alimentação e vestuário; saber lidar com aqueles que querem dormir por ali, e mesmo com o odor de alguns. Mas, uma regra é de ouro: nunca perder o respeito.

Ryan Dowd, Diretor Executivo de um abrigo em Chicago, autor do livro “Moradores de rua: um guia para bibliotecários”, vem trabalhando junto às bibliotecas de Toronto, dando dicas em como estabelecer parcerias com abrigos locais, inclusive intermediando a troca esporádica de funcionários entre si – ou seja, muitos bibliotecários têm vivido na prática o dia a dia desses abrigos. Afinal de contas, nem tudo está nos livros.

Posto originalmente publicado no Jornal North News.